O meu avô materno recebeu o nome de Américo Diniz; dois nomes apenas, um total simples. O apelido recebeu-o do pai, à data Gastão Diniz, mas nascido (diz-se) José Diniz. Quanto ao primeiro nome, sempre pensei que o recebera também do pai, precisamente a propósito desta mudança de nome, de cujos motivos sei muito pouco: segundo consta, José Diniz terá viajado para o Brasil e, regressado à sua pequena aldeia de Vila Franca da Beira, a América do Sul baptizara-o Gastão. Alguma desventura o terá levado a voltar ao sítio onde nascera deixando José para trás; qualquer coisa desse espírito inquieto pretendeu certamente passar para o filho. Por várias vezes o meu avô viria a ensaiar extensões e variações do seu nome que fossem capazes de fazer jus aos diversos mistérios da sua própria origem. Assinou Guidão, a certa altura, pois descenderia o pai da família de judeus marranos dos 'Guidões' – nunca consegui confirmar tal afiliação, precisamente por ser tão difícil retomar o ...