Resolvido o mistério do bisavô Eusébio
Quando entrei em contacto com um dos meus ‘matches’ no MyHeritage, julguei descobrir uma informação surpreendente: o meu bisavô (Eusébio Romero Marin) estava registado como sendo casado com uma pessoa diferente do que a minha árvore pessoal indicava. Daqui, duas opções possíveis: ou o meu bisavô se tinha casado duas vezes, ou um dos registos estava errado.
Na minha árvore, Eusébio casou-se com Amélia dos Santos, minha bisavó. Na árvore registada no MyHeritage, casou-se com uma Leonor Amélia Cardoso. Esta semana finalmente resolvi o mistério, que não tem, afinal, nada de surpreendente, mas que acrescenta algumas informações importantes à árvore.
Depois de procurar um pouco, encontrei o registo de casamento de Eusébio Romero Marin e Leonor Amélia Cardoso em S. Vicente de Fora, Lisboa:
Daqui decidi experimentar uma ferramenta nova: transcrevi o texto do assento sem muita atenção ao detalhe e pedi ao ChatGPT que me indicasse as informações importantes das pessoas mencionadas numa tabela, para uma leitura mais fácil. As minhas instruções foram apenas "Pega na informação neste registo de matrimónio e cria uma tabela para cada uma das pessoas mencionadas com toda a informação relevante." Ainda que tivesse de apontar um pequeno erro, fiquei agradavelmente surpreendido com o resultado:
Não tenho como não admitir que torna a leitura da (lá está) informação relevante muito mais simples. Naturalmente, não nos escusa isto da leitura atenta do texto: o ChatGPT assume que a profissão de Leonor é industrial, à semelhança do marido, porque a sua não é mencionada.
De qualquer forma, fica aqui resolvido o mistério, que aponta agora para uma terceira solução: este Eusébio Marin não é o mesmo que o 'meu' Eusébio Marin. Senão, vejamos:
- Os pais do meu bisavô são Alejo Garcia e Jacinta Marin. Os pais do Eusébio 2 são Turíbio Romero e Francisca Marin;
- O registo do casamento data de 31 de Outubro de 1896. Não sei bem quando nasceu o meu bisavô, mas não antes de 1896. Em 1906 está na escola primária em Lisboa. As datas não batem certo.
- O meu bisavô nasceu em Lisboa.
Ora, regressando à árvore disponibilizada no MyHeritage (que erroneamente casa o meu bisavô com Leonor) verifica-se que existe efectivamente um segundo Eusébio Marin, tio do meu bisavô. Agora a informação passa a fazer sentido, acrescentando alguns dados interessantes à narrativa da família:
No registo de casamento, um tal Aleixo Marin surge como testemunha. Existe um Alejo na minha árvore, casado com Jacinta. Na árvore do MyHeritage, Jacinta aparece como sendo filha de Turibio Romero e Francisca Marin. Será Alejo o mesmo que Aleixo, e terá ele sido testemunha de casamento do irmão da esposa?
Assim sendo, a origem de alguns nomes faz sentido. Alejo/Aleixo e Jacinta tiveram quatro filhos, entre eles Eusébio (meu bisavô) e Turibio. O primeiro recebe o nome do tio, irmão da mãe, de quem o pai tinha sido testemunha de casamento. O segundo recebe o nome do avô, pai da sua mãe.
Sei que Alejo também terá nascido em Espanha. Penso, assim, que a história da família Marin/Romero em Portugal terá começado nesta altura. Alejo e Jacinta, casados em Espanha, mudam-se para Portugal (onde virá a nascer o meu bisavô) com a família, nomeadamente, o irmão de Jacinta, que se casa já em Lisboa com uma portuguesa.
Pouco sei do que aconteceu a toda esta gente (as informações de que disponho ficam para outra altura). Sei, no entanto e porque o registo de matrimónio o inclui em averbamento, que Leonor viria a falecer em Lisboa em 1957.
Esta informação é confirmada pelo Boletin Oficial del Estado, que na secção intitulada "Espanoles Fallecidos en el Extranjero" noticia o falecimento de Leonor.
Termino por ora, com um pensamento: Leonor, cujo apelido é alterado para Martin na publicação do governo espanhol, faz parte da lista de espanhóis que morreram no estrangeiro. Mas Leonor era portuguesa, com pai e mãe nascidos em Alhos Vedros e Lisboa, respectivamente. Enfim, não deixa de ser interessante que o esposo tivesse nascido em San Martin de Pradillo, pequena localidade da Rioja onde tudo parece voltar e aonde, naturalmente, terei um dia de ir. Fica uma imagem da igreja paroquial de San Martin de Pradillo de Cameros:

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